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Questões sociais e de equidade na saúde

Foto do escritor: isabele Rodrigues
isabele Rodrigues
7 de dez. de 2021
3 min de leitura

Atualizado: 28 de mar. de 2023



"Eu não vejo cor, etnia, gênero e etc, eu vejo pessoas"

Essa frase acima, muito dita infelizmente é resultado de uma tentativa de apagamento das diversas lutas sociais contra a discriminação e preconceito. Não existe enxergar alguém ignorando todos os aspectos sociais que a ela atravessam. Um profissional da saúde deve seguindo o princípio da integralidade, enxergar o sujeito em todos os seus aspectos e isso necessita entender que marcadores sociais não só existem como são fatores determinantes no processo de adoecimento de um sujeito ou população.


Pessoas não podem ser colocadas em caixas pois a forma como o preconceito as atravessa é diferente. Pessoas LGBTQIA+ por exemplo não compartilham as mesmas vivencias , atitudes ou expressões por pertencerem a um mesmo grupo social. Assim, olhar a atenção básica para uma população em específico é buscar atender as demandas e necessidades como grupo sem ignorar os aspectos individuais que compõe aquele indivíduo. Dado que existem diversos determinantes sociais cumulativos para cada um, que não podem ser determinar atitudes, ações e estratégias já pré-estabelecidas.

Faz parte da nossa competência olhar para raça[...] a pessoa pode não ver raça, mas todo o restante do mundo vê. Isso é um determinante social de adoecimento.

Júlia Rocha-Papo de segunda(GNT)


Tomando como exemplo a população negra, há diversos fatores sociais que contribuem para o maior adoecimento desta população em relação a população não negra.

  • O acesso a moradia e as condições básicas de trabalho.

A maior parte dos moradores de lugares onde há grande incidência de violência interna e externa, precariedade sanitária, insalubridade, vulnerabilidade econômica e saneamento básico são pessoas negras e são também a maioria em trabalhos em situações precárias, superlotação dos transportes e carga horária abusiva. A maioria das doenças ligadas a população negra são:


  1. Doenças cardiovasculares

  2. HIV/Aids

  3. Desnutrição


Segundo a ONU, os negros brasileiros têm maior incidência de problemas de saúde evitáveis.

Mulheres negras morrem mais por negligência médica em período de gestação e pós gestação do que mulheres brancas independentes da condição econômica. Tem assim mais chance de sofrerem violência obstetrícia através de três principais violências.

  • Sofrem negação de atendimento e não conseguem acessar o serviço de saúde adequado

  • Durante o parto ou qualquer procedimento médico não são usados a mesma quantidade de anestesia com mulheres negras e mulheres branca devido ao estigma de que mulheres negras são mais resistentes e fortes.

  • Acompanhantes são negados durante partos de mulheres negras.

Nada protege mulheres negras de morrerem mais.

Júlia Rocha-Papo de segunda(GNT)

"Não deram a ela o direito de tentar engravidar. Deram a ela uma trombose e o uso de um medicamento anticoagulante. Deram a ela o diabetes, o medo de médico e uma revolta que ela não conseguia nomear. Hoje eu nomeei pra ela. 'Tudo isso que você viveu, toda essa negligência, todo esse descaso tem um nome. Chama-se racismo.' -cap58. Doença de rico. Pacientes que curam.

Expectativa de vida de alguém de um bairro nobre é maior que a expectativa de vida de um bairro periférico, onde sua maioria é negra. Com a reforma da previdência a idade de aposentadoria é muitas vezes superior a expectativa de vida dessas regiões vulnerabilidade. Traçando um paralelo com a lei do sexagenário que "garantia" a alforria para escravizados acima de 60 anos quando a expectativa de vida para essa população era 40 anos.


O racismo afetam também a saúde mental, aumentando o número de transtornos como a depressão e ansiedade, afetando assim o trabalho, participação social e familiar da população negra.


O racismo estrutural dentro das instituições de saúde também é fator de adoecimento.

Através de mecanismos como:

  1. Limitação de medicamento

  2. Negação de atendimento

  3. Ofensa e preconceito direto

  4. Brutalidade e má vontade no tratamento e atendimento





Política Nacional de Saúde Integral da População Negra


Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta


Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei, em Regime de Internação e Internação Provisória (PNAISARI)


Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais


Política Nacional de Atenção a Saúde dos Povos Indígenas


Política Nacional para a População em Situação de Rua


Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional

 
 
 

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