Usuários de droga e as políticas públicas
Atualizado: 28 de mar. de 2023
O estado constrói o ambiente caótico e depois condena as vítimas dele.
Não é de agora que as mídias sociais são usadas como palanque político e meio de influenciar massas devido a grande potência de alcance dessas ferramentas, não é de hoje também que se há um estigma quanto ao vício de drogas e seus usuários. Então, o que acontece quando juntamos as duas coisas, e adicionamos à receita, um pouco de fakenews e mau-caratismo? A resposta é a imagem abaixo:

Certos discursos podem chegar a gente como falta de informação e conhecimento, e muitas vezes podem de fato ser “apenas” isso, Entretanto temos que atentarmos que pessoas de grande influência utilizam dessas pautas e assuntos importantes de forma errada ou problemática mesmo que eles não pensem desta forma ou escolhendo por conta própria não se aprofundarem ou buscarem conhecimento, justamente para gerar tipos específicos de sentimentos em seu seguidores visando algum resultado político.
Voltando à questão do que de fato é definição de saúde, o vício em drogas definitivamente é o primeiro deixado de lado, entendido muitas vezes como questão de segurança pública e não como deveria ser- Uma questão de SAÚDE pública- tendo como principal meio de contenção a força policial. A questão do uso de drogas ainda vem acompanhada de uma sequência de estigmas as quais valem citar a:
Moralidade
Geralmente o usuário de drogas é acompanhado de um julgamento moral, que justifique a sua compulsão, como exemplo se usa drogas automaticamente é uma pessoa ruim, má ou lhe falta caráter enquanto uma pessoa boa, exemplar e correta nunca chegaria perto de uma droga. Sabemos que isso não tem relação direta já que outros aspectos estão envolvidos nisso e é muito mais complexo do que uma dualização entre bem x mal.
2. Culpabilização
“ Tá ali porque quer!” "Começou a usar porque quis, agora tá colhendo o que plantou!” Quantas vezes não ouvimos isso referente a usuários de drogas? Mas será que é assim? Acredito que as pessoas não se colocariam nesta situação por vontade própria, como um objetivo de vida, chegaram nesse lugar ou por falta de conhecimento das consequências ou por não conseguirem enxergar outras alternativas, muitas vezes por falta de uma base e estrutura social.
Uma das consequências do vazio existencial é a dependência química- Viktor Frankel
É possível fazer um paralelo com o sistema prisional e o estado, que fomenta um ambiente de repressão e exclusão de diversos direitos básicos e depois combate as consequências dele sem se atentar (propositalmente ou não) que a base do problema está na falta desses direitos e incentivos principalmente na infância e adolescência, geralmente o período de primeiro contato com essas substâncias.
O problema não é a droga mas o porquê a pessoa usa ela. -Midnight gospel

3. Aparência
É preciso também entender que o usuário não tem uma imagem específica e que não é apenas aquele da Cracolândia ou que se encontra em situação de rua, pode ter um trabalho formal, frequentar festas e constituir famílias. Por mais que existam portas de entrada diferentes de acordo com situações e vivências, o usuário pode ser de diversas classes sociais e compor diversas realidades.

Amanda é uma brilhante médica, dedicada a seus pacientes. Mas a pressão diária do trabalho acaba a sobrecarregando, o que faz com que a moça busque algum tipo de consolo nas drogas.
Assim como o usuário não possui um padrão, a droga também não. Temos em mente que a droga só é aquela ilícita como a cocaína, o crack e etc, mas temos que reforçar que outras coisas como o uso de remédios, cafeína, açúcar e doces quando se tornam vícios podem ser considerados drogas. Temos um problema atualmente com a questão do uso de drogas que passa por uma espécie de "glamourização” onde o uso de medicamentos entre outras passa ser algo legal e até um motivo de brincadeira.
Acredito que a falta de conhecimento sobre o que de fato se caracteriza como droga e todas as consequências delas assim como a não culpabilização auxiliaria pessoas a não se tornarem usuárias, assim como a buscarem tratamento.




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